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Entrevista com Thiagones, vocalista do Wiseman

29 de março de 2019 | Publicado por: Fabio Martiniano

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Confira a entrevista de Guilherme Góes com Thiagones, vocalista do Wiseman. A banda tocará em São Paulo essa semana, dia 31 de março, no Blast HC Fest.

– Olá, Thiagones e banda Wiseman! Primeiramente, obrigado pela oportunidade em ceder um tempo para essa entrevista. Além disso, em um nível pessoal, fico feliz em poder bater um papo com você, pois acompanho os shows do grupo desde o início da carreira e já estou querendo entrevistá-los há algum tempo. Começando, você poderia falar um pouco sobre a banda?

Eu que agradeço pelo espaço e por acompanhar o nosso rolê. Tu já viu mais shows do Wiseman do que eu (rs). Então, a banda foi formada por mim e pelo Thiago Barreto (ex-Nerds Attack, ex-F.O.M.I.) em meados de 2012 ou 2013. Naquele momento estávamos parados. O Nerds tinha acabado e eu estava sem banda, então decidimos fazer um som de forma despretensiosa. Após 4 / 5 anos de muita correria, mudanças de integrantes, quase 100 shows, cá estamos nós, WISEMAN. Hoje temos uma proposta musical clara, 2 EP’s e um álbum full (o MIND BLOWN) e seguimos em busca de um lugar ao sol (ou à lua, rs).

– Recentemente, o Wiseman passou novamente por uma mudança na formação. Como tem sido o trabalho com os novos integrantes?

No final do ano passado (2018) o Fábio (baixista) deixou a banda por motivos pessoais. Ele queria se dedicar à vida particular, se casou, etc. Recebemos a indicação do Paulo pelo Rômulo (VersusMare) e ele caiu como uma luva. Em 2 ensaios já tínhamos metade das músicas prontas pra tocar. Ele toca muito bem, tem um bom ouvido, o que foi ótimo porque basicamente não paramos as rotinas da banda pra que ele tirasse músicas e coisas do tipo. A sonoridade dele casou perfeitamente com a nossa também. Foi um processo bem rápido.

– Ainda falando sobre a formação, a banda já passou por algumas mudanças desde o início da carreira. Em sua opinião, quais as principais dificuldades que um grupo independente encontra para manter uma composição constante nos dias atuais?

Pois é, esse deve ser o nosso Karma Radical (sacou o trocadilho rs?). Acredito que no nosso caso, os maiores empecilhos tenham sido relacionados ao pouco retorno que temos como banda. Alguém comentou em nosso instagram que somos uma das bandas mais trabalhadoras da atualidade e (humildemente) sou obrigado a concordar. Temos muito trabalho sempre, pois somos nós que fazemos tudo e estabelecemos um padrão de qualidade relativamente alto. Tentamos nos equiparar em qualidade de gravação, identidade visual, estampas de camisetas e artes do merch com as bandas já estabelecidas, etc. É muito tempo gasto e pouco retorno. Chega em um ponto que deve cansar mais rápido pra algumas pessoas. O Pensamento deve ser:

Tanto tempo gasto que poderia ter sido aproveitado em outras coisas, com outras pessoas. Mas, fazer o que, né?

A gente continua pelo amor à arte, pela necessidade de expressar algo através da música e obviamente por um pouco de burrice também (rs)!

– Em 2018, o Wiseman lançou o álbum “Mind Blown”. Como foi a experiência durante as gravações do primeiro disco full length? Você poderia falar um pouco sobre o processo?

O processo e a experiência foram sensacionais. Ter uma produção musical faz toda a diferença. Pessoas de fora da banda ouvindo, dando ideias, pontuando coisas. Hoje eu acredito que a produção musical seja um dos pontos mais importantes pra garantir a qualidade de um álbum. No processo do disco nós chegamos com as 10 músicas decididas. Fizemos um tempo de pré-produção em que acertamos os ponteiros. Entramos em estúdio já sabendo o que cada um faria (pelo menos 95%) e em dois finais de semana gravamos.

As sessions de gravações eram de 10 a 12 horas por dia. Eu gravei todas as guitarras bases em um único dia, 11 horas de trampo.

Foi loucura! No final, o resultado valeu muito a pena. Ah, e eu também aprendi a fazer café (rs).

O álbum também foi masterizado em Los Angeles pelo Nick Townsend. O Nick já trabalhou com várias bandas grandes tipo Pearl Jam, Alice In Chains, Paramore, Thrice, então isso garantiu mais um ponto de qualidade pro material.
O processo e a experiência foram sensacionais. Ter uma produção musical faz toda a diferença. Pessoas de fora da banda ouvindo, dando ideias, pontuando coisas. Hoje eu acredito que a produção musical seja um dos pontos mais importantes pra garantir a qualidade de um álbum. No processo do disco nós chegamos com as 10 músicas decididas. Fizemos um tempo de pré-produção em que acertamos os ponteiros. Entramos em estúdio já sabendo o que cada um faria (pelo menos 95%) e em dois finais de semana gravamos.

As sessions de gravações eram de 10 a 12 horas por dia. Eu gravei todas as guitarras bases em um único dia, 11 horas de trampo.

Foi loucura! No final, o resultado valeu muito a pena. Ah, e eu também aprendi a fazer café (rs).

O álbum também foi masterizado em Los Angeles pelo Nick Townsend. O Nick já trabalhou com várias bandas grandes tipo Pearl Jam, Alice In Chains, Paramore, Thrice, então isso garantiu mais um ponto de qualidade pro material.

– O álbum possui composições pessoais, mas também há algumas letras com mensagens políticas e críticas ao sistema em geral. Quais foram as principais influências para tocar nesses assuntos?

Acho que foi o dia a dia mesmo. Política é feito diariamente e não só de tempos em tempos quando temos de ir votar. Criar um bom ambiente no trabalho tendo um chefe ou colega cretino é fazer política. Negociar prazos de projetos é fazer política. São vários níveis, mas é tudo política. A simples postura de alguém (eleito ou não) pode desencadear uma desgraceira na vida de todo mundo.

As letras de modo geral são isso. São sobre mim, sobre amigxs, sobre a rua, sobre a nossa vida, sobre a nossa sobrevivência, e esse lance cotidiano é infinito. Tudo isso é política.

– Musicalmente, a banda teve alguma nova influência especial durante as gravações?

Novas acho que não. Acabamos nos voltando mais pro passado mesmo. Ouvimos bandas dos anos 90 que temos como uma influência pro som do Wiseman (Nirvana, Mudhoney, Quicksand, Farside, Seaweed, Fudge Tunnel, e muitas outras). Focamos a nossa atenção nelas pra tentar pegar influências de timbres e sonoridades que queríamos trazer pro disco.

– O disco “Mind Blown” foi produzido e mixado por Thiago Babalu e Ali Zaher Jr (Reffer). Como foi trabalhar junto com importantes nomes da cena nacional? Em sua opinião, a experiência desses dois profissionais alterou algo no resultado final do disco?

Foi imensamente prazeroso. Por sermos amigos foi um processo bem simples, direto e sem melindres ou disputa de egos. Os ouvidos, dicas, sugestões deles foram incríveis. O exemplo prático que eu sempre tenho citado é a da música Prowling. A introdução dessa música é feita em 4 partes distintas. Eles sugeriram algumas alterações na ordem dessas partes e essa mudança transformou a música de forma incrível. São pequenos toques que só a experiência traz.

– Como tem sido o feedback do público que acompanha a banda em relação ao primeiro disco completo?

De quem realmente parou com calma e ouviu o som, foram os melhores possíveis. E sempre feedbacks construtivos. Nada de hater (por enquanto).

– No final do mês, vocês irão tocar no Blast hardcore festival, com os estadunidenses do Symphony of distraction, os gaúchos do 69 enfermos e outras bandas. Quais as expectativas em relação ao evento?

Acho que a principal expectativa é que a galera compareça desde cedo e veja todas as bandas. Tem muita coisa sendo produzida, falta um pouco mais de atenção da galera. E é sempre bom fazer esse networking com os gringos, principalmente pra nós que temos as letras em inglês.

– Qual a experiência mais bacana que teve dividindo o palco com bandas internacionais?

Sem dúvidas que a experiência mais bacana foi o show que fizemos com o Circa Survive. Foi a melhor estrutura que tivemos nesses últimos 4 anos e o feedback da galera foi incrível. Éramos totais desconhecidos da noite, ninguém fazia ideia de quem éramos. Depois do nosso show, até o início do show do Circa, esgotamos todas as camisetas que levamos. A galera foi até a banquinha e comprou tudo. No show seguinte (umas duas semanas depois) foram pessoas comprar merch, pois já tinha acabado no show do Circa. Foi manerasso!

– O Wiseman toca com certa frequência aos domingos na Avenida Paulista, sendo “figura carimbada” em diversos eventos organizados no local. Qual a importância deste formato de show na carreira da banda? Além disso, você acha que shows abertos realizados de maneira gratuita possuem alguma influência na cena underground paulista atual?

O mais bacana desses shows ao ar livre é atingir pessoas que não fazem ideia do que é a cena underground. Talvez seja o primeiro contato de muita gente com o “subterrâneo”. Esse tipo de gente conhece a Pitty, o CPM22, mas não faz ideia (ou não se importa) de onde saíram. Se tem alguma influência no underground, talvez seja essa, ter o contato próximo com quem jamais teria essa possibilidade.

– Você já participa da cena underground há quase duas décadas. Olhando para o passado, quais são os principais momentos que surgem em sua mente ao relembrar tudo o que já viveu envolvido neste meio?

Ter conhecido ou feito trabalhos com diversas bandas que eu sempre fui fã sem dúvidas é o mais bacana pra mim. Ter participado de rolês com Bad Religion, Samiam, Misfits, Propagandhi, várias fitas.

E no Brasil, com o decorrer dos anos, ter virado brother de todos os que eu cresci admirando.

– Levando em sua consideração a sua experiência, qual a sua visão sobre a cena e o público atual?

Bom, hoje em dia tem pouco espaço pra novos trabalhos. Pouco espaço e muita banda, o que acontece?  – Todos acabam patinando e brigando por migalhas de atenção.

Eu acabei mudando a minha opinião em relação ao desinteresse do público depois que tocamos com o Circa Survive. Hoje eu penso que tem até bastante gente interessada em coisa nova, porém, essa galera espera a novidade vir até ela.

A forma de consumir música mudou e não adianta pagar de old school e exigir da geração Spotify que fiquem lendo encartes de discos pra depois ir procurar bandas na galeria do rock. O lance mudou, ponto. Se é bom ou ruim vai de cada um.

O grande desencontro nisso tudo é que tem essa galera interessada esperando a novidade chegar até ela e a novidade não vem. E o pouco espaço pra mostrar o trabalho é um dos grandes motivos disso na minha opinião. Nos grandes eventos rola pouquíssima mescla entre nomes antigos e nomes novos e quando se fala de shows das bandas internacionais, pfff. A oportunidade é quase nula… Ah, e sabemos que no BR, qualquer gringo é Deus!

Obvio que tem outros motivos que colaboram também, mas a conclusão de tudo é que estamos deixando de renovar o público apresentando uma porrada de banda nova que está ralando por ai e ficamos girando sempre em torno do clube dos 13 (e não, não estou falando de futebol).

– Recentemente, o que você anda ouvindo? Possui alguma recomendação interessante de bandas amigas?

Eu tenho ouvido o disco mais recente da Cat Power. Sempre pirei no trabalho dela, fui no 1° show dela aqui no Brasil em 1999 (faz tempo). Achei o Wanderer muito bom. Também tenho ouvido bastante Elliot Smith. Estou mais nessa fase, mas sem deixar de lado os clássicos que citei como influência do nosso álbum rs.

Bandas de amigos: Nossa, tem Muita coisa rolando. Tem o Caffeine Blues (numa linha mais propagandhi), numa linha mais melódica tem o Californicks, Acionistas Vienenses, La.Marca, Join the Dance, Sempre, Cannon of Hate, Mar morto e Vesta.

Tem o All the Postcards e o The Sunset Fire do Rio de Janeiro. Tem grunge, post hardcore, Mudhill, Old Brooks Room, Ment… Muita coisa rolando!

– Thiagones, obrigado pela oportunidade! Por favor, diga algo para os nossos leitores.

Agradeço de verdade o espaço. Somos muito gratos a cada pessoa que nos dá atenção, que ouve a nossa música, a cada site que nos deixa falar.

Para os leitores, procurem pela novidade. Tem muita coisa sendo feita ai, e ah:
OPEN YOUR MINDS AND EARS  -> LISTEN MIND BLOWN
Abram as suas mentes e ouvidos -> ouçam Mind Blown



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