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Entrevistamos Gillian Zampolli da banda Skatula

19 de junho de 2018 | Publicado por: Fabio Martiniano

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Guilherme Góes bateu um papo com Gillian Zampolli, vocalista da banda Skatula. Confira:

1 — Olá, Gillian! É uma satisfação enorme conversar com você. Por favor, fale um pouco sobre sua banda!
Gillian: Nós somos sete amigos (agora podemos falar assim) que se encontraram pela música. A maioria de nós não se conhecia antes da Skatula. Temos gerações diferentes na banda e músicos que vieram de estilos musicais também diferentes. O nosso foco sempre foi levar a música a sério, e esse processo conturbado, (como em qualquer outra banda) foi modelando e a transformando a Skatula no que ela é hoje. Muitos integrantes já entraram e saíram da banda, sendo o Felipe (trombonista) o único que restou da formação original. Nosso objetivo é não parar! Queremos manter nosso sonho vivo mesmo com as dificuldades do dia a dia, como aliar a banda e as atividades profissionais e pessoais de cada um.

2 — O que significa o nome Skatula?
Gillian: Esse nome é um trocadilho engraçado, pode-se dizer assim! (hehehe)

3 — Quais bandas e artistas influenciam o som de vocês?
Gillian: Cada um da banda tem as suas influências pessoais, mas acredito que todos nós compartilhamos o gosto pelo ska, punkrock e hardcore, essa linha de som. Poderíamos dizer que a Skatula é diretamente influenciada por bandas como Streetlight Manifesto, Mad Caddies, Reel Big Fish, Less Than Jake, Suicide Machines… e por aí vai!

4 — No mês de maio, vocês tocaram com o Less than Jake aqui em São Paulo na Fabrique Club. Foi uma grande apresentação da banda para o público Paulista, com a banda realizando um set matador. Como foi a experiência tocando naquele show?
Gillian: Foi uma experiência absurdamente intensa! Nos preparamos por meses para aquele show. Tivemos vários problemas na banda como acidentes e problemas de saúde que já de começo mostrava que não ia ser fácil. Chegando próximo a data do show, houve a questão da greve dos caminhoneiros, estradas paradas, falta de combustível, aeroportos parados, etc. Estávamos prestes a realizar um sonho, mas tudo parecia estar jogando contra. Chegando na hora do show toda aquela ansiedade, excitação e medo por meses de preparo, nos fez relaxar e só fazer o que tínhamos que fazer, que era tocar e se divertir. Deu mais certo do que imaginávamos! A galera curtiu, cantou, deu mosh, pediram músicas (inclusive estamos devendo uma, hehehe). O público interagiu demais com a gente, coisa que estamos acostumados a fazer na nossa cidade, mas não esperávamos que em São Paulo iríamos ser tão bem recebidos! Esse show com certeza foi um sonho realizado pra todos da banda, não poderia ter sido melhor e queremos estar de volta a São Paulo o mais rápido possível.

5 — Como é a cena punk rock/ska aí em Criciúma? Realmente, não conhecemos muitas bandas dessa cidade…
Gillian: a nossa cidade é conhecida por ter bastante bandas de rock. Isso até levou a apelidarmos carinhosamente de “Criciúma Rock City”. Criciúma é uma cidade do interior de Santa Catarina com pouco mais de 200.000 habitantes e pela proporção, existe muita banda na ativa. Não só Criciúma em si, como as cidades que abrangem a nossa região. Foi legal acompanhar esse crescimento, pois quando alguns de nós começamos, não existiam estúdios de ensaio para aluguel na cidade. As bandas tinham que ter seu próprio local para ensaiar. Hoje em dia temos diversos estúdios, casas de show, bandas que vem tocar aqui, do Brasil e de fora também. Less Than Jake no caso, já é a terceira vez que toca na nossa região. Tocou duas vezes em Cricíúma e uma vez em Urussanga, cidade vizinha. Poderia citar muitas bandas importantes que já passaram por aqui, como também poderia citar muitas bandas da nossa região, mas vamos deixar assim, pois podemos esquecer de alguma e a galera ficar chateada… hehehehe.

6 — Afinal, como é a cena underground no estado de Santa Cantarina em geral? Antigamente, havia boas bandas do estado na ativa, porém, a cena do estado aparenta está um pouco parada nesses últimos anos…
Gillian: É meio complicado falar sobre esse assunto, então vou tentar expor da melhor maneira pra ninguém se sentir ofendido. Não temos como comparar a nossa região com São Paulo, porque São Paulo é rica demais em cultura. E isso é muito foda. Mas em conversa com amigos de outros estados, a gente vê que isso não é pontual. Em muitos locais o rock realmente pode estar reduzindo a marcha. Ouvimos dizer que o show do Less Than Jake não foi o esperado no Rio de Janeiro. Em conversa com amigos do Rio Grande do Sul, foi comentado que a cena também não está como gostariam. Sem querer rotular ninguém de cena forte ou fraca, apenas estou citando o que foi dito em conversas com amigos. Mas assim, em todos esses lugares que eu citei tem muitas e grandes bandas! Então o que seria uma cena “fraca? A galera classifica assim, mas volta e meia tem shows com grandes bandas nacionais e internacionais, eventos e festivais que reúne bandas, campeonato de skate e tudo mais. Então eu não diria que a cena está fraca. O que realmente pode acontecer, é que em termos financeiros, a nossa cultura infelizmente não é muito sustentável. Cansamos de ouvir falar de eventos muito bons que infelizmente não dão lucro ou dão muito pouco lucro para o produtor. E antes de classificar o “lucro” como uma coisa boa ou ruim, temos que pensar nos custos desses eventos. E se queremos uma banda boa na nossa frente, tocando em uma aparelhagem decente, temos sim que ter o mínimo de lucro pra que esses eventos continuem acontecendo. Isso sim é complicado, principalmente num país como o nosso onde tudo é difícil. E aí sim eu diria que “a cena” poderia realmente ser melhor, mas não por falta de vontade de quem já está na cena. Voltando a Santa Catarina, aqui tem ótimas bandas na região de Criciúma, Florianópolis, Lages, Blumenau e por aí vai. Realmente já tivemos ótimas bandas no nosso estado que não estão mais na ativa e isso é uma pena. Mas por outro lado, temos uma cena se renovando a cada dia, e enquanto tiver uma banda de rock tocando em frente aos skatistas arrepiando nas manobras, eu não consigo dizer que a cena está fraca. O nosso som sempre foi underground e acredito que de certa forma sempre será.

7 — Como foi gravar o videoclipe “Brasília”? A música possui uma letra engraçada e realista, e o vídeo já possui boas visualizações no YouTube. Na opinião de vocês, essa música já poderia ser considerada o maior “hit” da banda até o momento?
Gillian: Acreditamos que sim. Que ela pode ser um grande “hit”, mas não a melhor música da banda. Acho que pela letra com um assunto tão polêmico e cantada de forma tão descontraída contribui bastante pra que ela ganhe espaço país afora. Agora se ela vai nos tornar famosos ou se vai contribuir realmente com alguma coisa importante para a banda, a gente não sabe dizer. Compomos essa música despretensiosamente, apenas pela vontade de fazer música e brincar com um assunto que precisa ser levado em questão por todos os brasileiros. O videoclipe foi muito divertido de filmar, mas também cansativo. Foi um bom investimento, sem contar a ajuda de amigos e patrocinadores da banda que temos muito a agradecer. Como o show de São Paulo, esse videoclipe também foi um grande sonho realizado pra galera da banda. Esperamos gravar outros em breve!

8 — Quais os projetos futuros do Skatula?
Gillian: Nessa última metade do ano a Skatula está focada em terminar algumas gravações de músicas que acabaram ficando pra trás por conta da correria, e também em compor novas músicas para se tudo der certo no final do ano, a gente já estar com dois EP’s prontos ou quem sabe um álbum, ainda veremos o que será feito. Estamos focando também em alguns shows fora do estado que já estão aparecendo. Produzir, tocar, viajar, fazer amigos… o som não pode parar!

9 — Nós Podemos esperar uma turnê do Skatula em São Paulo em breve?
Gillian: De nossa parte, com certeza! Foi uma experiência sinistra tocar em São Paulo e pretendemos voltar o mais rápido possível com novas músicas e novidades pra apresentar para a galera. Não temos dúvidas que vai ser muito foda!

10 — Obrigado pela entrevista. Diga algo para nossos leitores!
Gillian: A Skatula quer agradecer imensamente a todo mundo que nos apoia de alguma forma, público, amigos, patrocinadores, produtores e com certeza a toda galera de São Paulo que curtiu nosso show e nos apoiou num evento tão importante! Vamos apoiar as bandas nacionais que lutam pra ter seu espaço para quem sabe um dia termos bandas tão respeitadas quanto as internacionais que vem ao nosso país tocar! Um grande abraço da Skatula! Nos vemos em breve!



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