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Entrevistamos Glauco do A Thousand Times

15 de junho de 2019 | Publicado por: Fabio Martiniano

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Confira o bata-papo de Guilherme Góes com Glauco do A Thousand Times:

· Olá, Glauco! Obrigado por essa oportunidade. Inicialmente, peço que fale um pouco sobre sua banda para quem ainda não conhece o trabalho do A Thousand Times.

Glauco: Fala galera! Maior prazer para nós estarmos trocando essa ideia. Obrigado primeiramente a vocês da Besouros.net e Blast Hardcore pelo convite!

Bom, o A Thousand Times (ou ATT como a gente costuma chamar) nasceu em 2014 em um show do H20 que rolou no Inferno Club em uma conversa pós-show entre eu (Glauco – Batera) e o Fernando (Vocal). Nós já tínhamos tocado juntos numa banda chamada Segundo Plano e desde sempre tocamos em vários projetos com a mesma galera da região do “Parce-Cecap”, bairro da cidade de Guarulhos, onde praticamente todos os integrantes e ex-integrantes da banda viveram. A ideia era montar um projeto de punk-rock/HC com parte dessa galera das antigas.

· Quais são as principais influências da banda?

Glauco: Difícil, são várias. Mas acho que a gente pode falar que temos grandes influências do próprio H20, Hot Water Music, Bad Religion, Propagandhi e Satanic Surfers. Rola um “pezinho” da galera em Glassjaw e Toll também, umas bandas de metal. Por aqui, a gente gosta bastante de Garage Fuzz, Bullet Bane, Bayside Kings, Mistanásia, Mar Morto e o Cannon of Hate. A gente também gosta muito do Triunfe do RJ, Circus Rock e temos umas paixões por umas bandas de uns amigos bêbados aí, como o we suck as a band, Old Rust do Guarujá que é FODA (bandassa!) e também rola uma paixão platônica com a sonzeira do Manual (que são família, o Sid já segurou várias na guitarra para nós e eu também já fiz uma gig na Batera com o Manual acompanhando o Slaves no RJ). Curtimos muito o Against The Hero também! Difícil não ser influenciado por todas essas bandas que a gente gosta muito… e ainda temos a sorte de existir uma amizade entre nós!

· Você poderia explicar o significado do nome “A Thousand times”?

Glauco: A ideia foi mais por um conceito interno que eu (Glauco) e o Fernando discutíamos após o show. Como a gente sempre teve banda, sempre tocou com muita gente de Guarulhos/São Paulo e sempre passamos por várias fases com bandas diferentes ao longo dos anos (que por algum carma ou zica da vida essas bandas sempre acabavam hahahaha), a gente decidiu montar o ATT com o intuito de que “nem que levem mil vezes” para formar algo sólido e duradouro, nós continuaremos a fazer o que amamos – que é particularmente tocar punk rock e hardcore. Daí pensei em A Thousand Times, a galera curtiu a ideia… e ficou.

· Quanto as composições, quais temas vocês tendem a abordar?

Glauco: O Fernando compõe 100% das letras e mensagens. Desde muito jovem, ele sempre foi um ótimo letrista e sempre expressou as paradas e assuntos que a gente esteva vivendo sem perceber. No disco, abordamos um pouco de tudo, como o estilo de vida coletivo, a questão do “faça você mesmo”, o questionamento interno de quem somos e onde queremos chegar, independente da qualidade de vida que podemos ter vivendo neste nosso sofrido país ou num país de primeiro mundo. Às vezes, também rola aquela boa e velha “novela das seis amorosa” e temos algumas mensagens para galera trabalhadora e operária da nossa cidade, que é um grande polo industrial do estado.

· Em 2017, vocês lançaram o “A thousand times”, sendo este o primeiro lançamento full length do grupo. Por favor, fale um pouco sobre o processo de gravação deste material.

Glauco: Nós começamos a gravar este álbum no terceiro trimestre de 2015, lá no TOTH estúdio com o Dan e o Fer do Bullet Bane como produtores. Particularmente, já tinha trabalhado com eles em outros projetos e expandir o trampo com o ATT foi quase que automático. Foi um processo bem foda de se vivenciar com os caras, principalmente com todo aquele cuidado que eles são mestres em dar e passar com as bandas que trabalham. Sentíamos-nos em casa a ponto de fazer churrasco lá durante as gravações (haha). A gravação fluiu de forma muito “parceira”, sincera e natural. Demoramos pra lançar o álbum em quase um ano e meio, porque “patinamos” entre nós mesmos com detalhes de prensagem do disco e distribuição digital, além do formato de um álbum de 10 faixas que só tinha 7 músicas gravadas. Também paramos por um tempo para criarmos uma música acústica e uma introdução para o disco (que é uma faixa com trechos de músicas de todas as bandas que cada integrante já havia tocado sendo executadas ao mesmo tempo). Depois disso, no dia 31 de Julho de 2017, fizemos o lançamento.

· Qual o principal motivo para gravar todas as canções do álbum “A thousand times” em inglês?

Glauco: Todos os integrantes já tiveram bandas cantando em português. Não tocamos apenas punk rock (temos muita história no metal, rap e até MPB entre as experiências de cada integrante). Como montamos a banda com um propósito mais skatepunk/hardcore e nunca tínhamos feito composições em inglês (salvo uma ou duas músicas de bandas muito antigas no inicio das nossas vidas musicais), quisemos explorar mais esse lado e tentar levar o som para “mais além” do que rola aqui no Brasil. Sabemos que é algo bem difícil, mas também tínhamos aquela vontade de compor mesmo em inglês pela facilidade fonética e harmônica no soar e encaixar das músicas. Contudo, apesar da demora, entendemos que também é negócio fazer algumas canções em português e já temos inclusive um som pronto. Devemos gravar essa música em breve, junto com outro som em inglês. Provavelmente, seguiremos nas duas linhas.

· O álbum recebeu uma ótima aceitação, sendo considerado um dos melhores trabalhos lançados nesses últimos dois anos entre o público hardcore/skatepunk. Como a banda têm lidado com o feedback positivo?

Glauco: Sinceramente, para nós é uma surpresa essa consideração. A gente nem sabia! rs! Obrigado desde já por quem nos indicou e acredita nisso, porque a gente acha que nosso Rock é uma puta roubada (hahahaha). Brincadeiras à parte, desde 2017, a gente percebeu certo acolhimento de muitos amigos que conhecemos na estrada e em lugares que nunca havíamos tocado – tanto de galera de outras bandas quanto de público. O mais legal disso tudo sempre se resume a fazer novos amigos em tão pouco tempo e aquela alegria de receber boas criticas e elogios quase sempre que a gente se apresenta em algum lugar que nunca tocamos.

· Ao longo desses anos, qual foi o momento mais memorável da banda em atividade?

Glauco: Quando fizemos nossa primeira tour no Rio de Janeiro. Foi muito foda e memorável!

· A Thousand Times é uma banda de Guarulhos. Você poderia falar um pouco sobre a cena independente na cidade?

Glauco: A cena é forte! Apesar de pouco conhecida, tem muita coisa, não somente de punk rock e hardcore, mas também de metal e principalmente rap e reggae. Através da cultura do sistema de som em praça pública, muita arte e música popular independente começou a rolar. O problema daqui é mais a infraestrutura que praticamente não existe para quem tem banda (seja pela falta de espaço ou por falta de apoio do poder público), então nós estamos acostumados a movimentar várias outras bandas e coletivos da cidade. Fazemos pelo menos 2 a 3 vezes ao ano, juntos com nossos irmãos do Guetto Hardcore, o pessoal do Rosa Preta Tattoo e o coletivo “Raízes do Bem” um evento chamado “Hardcore solidário”, que já vai para a 5ª edição neste próximo 02 de Junho!

· O que você anda ouvindo? Poderia recomendar algumas bandas interessantes da cena atual?

Glauco: Claro, muitas até já citei como o Triunfo, We Suck as a band e Against the Hero. Eu estou escutando bastante os discos recentemente lançado por essas bandas. Mas o que naturalmente não sai dos ouvidos são bandas como Belvedere, MadBall e Satanic Surfers. É difícil dizer, pois gosto de outras coisas além do HC/punk.

· Quais os planos da banda para o resto de 2019?

Glauco: Queremos gravar e soltar 2 singles (um em inglês e outro em português). Temos o dilema de gravar um clipe de alguma música do álbum de 2017, mas estamos no impasse de fazer isso ou já gravar algo relacionado com os singles novos. Estamos querendo fazer mais uma turnê interestadual também, de preferência para algum lugar que ainda não tocamos como em Minas ou no Sul… Não sabemos ainda.

· Glauco, obrigado pelo espaço! Encontramo-nos no show do Day off em junho! Agora, diga algo para nossos leitores.

Glauco: Valeu demais pelo espaço e pela troca de ideia! Um prazer para nós estarmos aqui e no line dessa festa que promete do Blast Hardcore! Obrigado mais uma vez a organização do evento pelo convite e esperamos ver todo mundo curtindo, comemorando esse 1 ano de casa e tomando uma com a gente neste e em todas as demais aventuras desse nosso rock roubada! Tamo junto!



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