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Entrevistamos Ravi, vocalista do Blackjaw

8 de janeiro de 2019 | Publicado por: Fabio Martiniano

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Confira o bate-papo de Ravi, vocalista do Blackjaw, com Guilherme Góes:

1 — Olá, Ravi! Obrigado pelo tempo cedido para uma entrevista. Primeiramente, você poderia falar um pouco sobre o Blackjaw para quem ainda não conhece a banda?

Ravi: Nós somos uma banda de punk rock/hardcore formada na cidade de Santos em 2009. Temos cinco trabalhos de estúdio lançados, entre eles: quatro EP’s e um full length, oito videoclipes oficiais e algumas centenas de shows feitos pelo Brasil. Nós sempre privilegiamos a melodia na nossa música e temos como principal referência as bandas punk/hardcore dos anos 80 e 90.

2 — Recentemente, o Blackjaw passou por algumas alterações na formação. Agora, quantos integrantes compõem a banda? Os novos integrantes já tinham algum tipo de participação ativa na cena hardcore local?

Ravi: A banda sempre teve cinco integrantes e nos mantivemos assim nas transformações que passamos. Os membros mais novos são a Daniela Gumiero (guitarrista) que tocou por muitos anos na Analisando Sara, e o Aritai Machado (também guitarrista) que é o frontman do Soulmate. Já conhecíamos e éramos amigos de longa data de ambos, então a química rolou muito fácil entre nós. Estreitamos nossos laços quando os dois se integraram ao Blackjaw, mas sempre houve algum tipo de contato por meio de nossas bandas, shows, amigos em comum, e tudo mais.

3 — Em 2017, o Blackjaw lançou o álbum “Anticlimax”. Você poderia falar um pouco sobre o processo de gravação desse material?

Ravi: Tudo foi feito com o devido carinho que o primeiro álbum cheio merece. A gente deu o máximo desde a composição dos sons, escolha dos estúdios, timbres, instrumentos, artistas que fizeram a capa, tudo foi pensado e executado com muito amor. Deu trabalho, mas nós ficamos muitíssimos satisfeitos com o resultado final. O instrumental foi gravado no Play Rec Studios, em Santos, com o Nando Bassetto (Garage Fuzz), e as vozes foram gravadas no Beco Estúdio, também em Santos, com o Ivan Pellicciotti. A masterização ficou por conta do Fernando Sanches (O Inimigo/CPM 22), no Estúdio El Rocha em São Paulo. Tudo fica muito harmônico quando trabalhamos com pessoas que confiamos plenamente. Temos muito orgulho do disco que fizemos.

4 — Quais os principais desafios que você encontrou gravando um novo disco do Blackjaw com novos integrantes?

Ravi: Uma troca de integrantes costuma demandar certo tempo até que os novos membros assimilem plenamente a proposta musical da banda para que possam imprimir sua personalidade nas músicas sem descaracterizar a essência do som.

Felizmente, encontramos pessoas muito dedicadas, então a evolução, embora não imediata, aconteceu de forma natural até obtermos êxito na missão de gravar o nosso trabalho mais relevante como banda. Não creio que a troca de integrantes tenha sido um fator que dificultou o processo, porque todos sempre estiveram muito comprometidos com o projeto do disco Anticlimax, e isso refletem no resultado final.

5 — Embora a essência da banda continue a mesma, há diversas características de outros estilos nos trabalhos recentes do Blackjaw. Isso ficou bem nítido no novo álbum. Você já estava planejando essas mudanças ao longo dos anos ou isso foi algo que aconteceu naturalmente no estúdio durante as gravações?

Ravi: As mudanças na sonoridade são naturais. Nunca, em nenhuma hipótese, nós propusemos fazer músicas buscando sonoridade X ou Y. Elas simplesmente saem da forma que tem de ser e refletindo o momento de cada um. O que já foi feito é uma referência, um norte, mas não são como rédeas. A gente experimenta coisas novas, livremente, respeitando o que cada um sente e tem vontade de fazer no respectivo momento.

6 — O Blackjaw está em atividade desde 2009. Você era bem jovem quando iniciou a banda e suponho que evoluiu e amadureceu bastante ao longo desses anos na estrada. Olhando para trás e analisando esses últimos oito anos, quais as lições mais importantes que aprendeu participando do circuito underground?

Ravi: Eu não me reconheço quando olho pra trás e percebo o quanto amadureci como ser humano, muito em decorrência das experiências no cenário. Nada traz mais ensinamentos para uma banda do que a estrada. A gente acaba conhecendo tanta gente, tantos lugares, observa os contrastes, a pluralidade de visões e acaba percebendo que o aprendizado é um processo que não termina.

7 — Durante o início dessa década, o Blackjaw foi um dos principais nomes da cena hardcore nacional, tocando em grandes festivais, realizando shows pequenos em grande frequência e captando atenção do público underground devido aos ótimos trabalhos. Analisando com atenção, como você enxerga todo aquele período?

Ravi: Os momentos do cenário são cíclicos. Na época que formamos a banda, no final da década passada, não havia a mesma quantidade de bandas ativas, do estilo que tocamos, que temos hoje no cenário. Muitas bandas começaram a surgir e fazer um bom trabalho. E isso acabou atraindo a atenção da galera. Então, foi um momento muito especial de ascensão de várias bandas e de fortalecimento do público. É motivo de muito orgulho ter participado e ainda participar tão ativamente dessa renovação.

8 — O Blackjaw já tocou com várias bandas internacionais ao longo da carreira. Qual a experiência mais marcante que teve compartilhando o palco com bandas estrangeiras?

Ravi: Quando muito jovem, criamos na nossa cabeça a ideia de que os caras das bandas que gostamos são pessoas diferentes de nós, inalcançáveis, quando na verdade, eles são gente como a gente (risos). E isso foi uma das coisas que percebemos ao ter um contato mais íntimo com bandas que sempre admiramos e que tivemos a oportunidade de dividir o mesmo palco. Sempre rola ótimas interações com as bandas que vem de fora do Brasil, e/ou com muito tempo de estrada. E acho que essa horizontalidade é algo ímpar e um fator que faz com que nos identifiquemos tanto com o Hardcore.

9 — Quais os planos futuros do Blackjaw?

Ravi: Nós estamos em processo de gravação do primeiro material novo com essa formação e nós estamos amando o resultado. Não vou dar muitos detalhes, mas ainda não é um disco ou um trabalho maior, mas está sendo feito com muita dedicação pra que nós entreguemos algo à altura da expectativa de quem acompanha o nosso trabalho. Esse ano nós nos juntamos à produtora Three Green Hearts, que está com um cast de bandas muito legal, então acompanhem pelas redes sociais que em breve divulgaremos sobre as próximas turnês e lançamentos.

10 — Ravi, novamente, obrigado pela oportunidade! Por favor, diga algo para nossos leitores.

Ravi: Agradeço ao Besouros.net pelo convite e pelo espaço pra falar um pouco sobre a experiência com o Blackjaw. Pra todos que acompanham a banda, tenham certeza que nós seguiremos firmes e fazendo tudo com o mesmo amor de sempre. Muito obrigado pelo suporte ao longo de todos esses anos.

No mais, sejam gentis, hidratem-se e pratiquem a empatia.



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