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Resenha: No Turning Back em São Paulo

24 de setembro de 2019 | Publicado por: Fabio Martiniano

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Resenha por Guilherme Góes.

Após as recentes apresentações no México, Colômbia, Equador e Chile, a banda No Turning Back - um dos nomes mais importantes do hardcore europeu – realizou um show no último sábado (21/09/2019) na Jai Club. Esse foi o primeiro show do grupo holandês no país desde 2013.

Seguido de rejeições por parte de algumas produtoras, o evento foi organizado de forma DIY pelos integrantes do Paura e outros colaboradores. O espaço abriu as portas para o público geral por volta das 18h.

A abertura do evento ficou por conta do Good Intentions. Após um breve hiato e ausência de apresentações ao vivo, o grupo formado por integrantes de bandas como Radical Karma e Direction revisou músicas dos trabalhos “Enquanto Houver” (2013) e “Até o fim” (2006) como: “Seja a mudança”, “Quanto vale” e “Marque essas palavras”.

Seguindo, foi a vez do Escombro  – banda que se tornou um dos principais nomes da cena atual devido a repercussão do trabalho “Eutanásia Social” (2018). Ao iniciar o set com a música “Entre Lobos”, a pista foi transformada em um verdadeiro ringue de luta com a participação dos presentes no crowdkill (modalidade mais agressiva do tradicional mosh). Entre as canções “Descaso”, “Operação mata ratos”, “O peso de sobreviver” e os marcantes discursos sobre política, desigualdade e a luta por um “hardcore por um mundo mais digno” (mensagens marcantes na composição e postura do grupo), o vocalista JG derrubou barreiras entre os fãs, participando do moshpit e deixando a galera participar livremente no microfone. Com o apoio dos presentes, o set foi encerrado com a música “Lutar” —  canção que esteve ausente do setlist da banda por mais de dois anos.

Após troca de instrumentos e cenário, Paura deu continuidade a gig. Iniciando com um sample da música Fuck the Police do clássico grupo de rap N.W.A, a banda começou o show com a música Urban Decay e seguiu com Never Walk Alone e Reverse. Diferentemente das recentes apresentações do grupo, as músicas do álbum Slowly Dying for survival (2017) tiveram menos protagonismo, deixando espaço para importantes canções dos álbuns Tameless (2014) e History Bleeds (2010) como: No Hard Feelings, Worthless, Education e In the desert. Além do profissionalismo técnico, a apresentação foi marcada pela grande participação dos fãs saltando do palco e dividindo o microfone com o vocalista Fabio Prandini. Após o comentário do líder do grupo mencionando que “no hardcore não existe espaço para intolerância, racismo e xenofobia”, a banda fechou o set da noite com as músicas Open all Borders e History.

Depois de uma breve pausa e uma alteração no cenário com a capa do álbum Destroy, os holandeses do No Turning Back já estavam prontos para o show. Após uma introdução instrumental, a banda iniciou já levando os fãs a loucura com a clássica Take your Guilt, seguindo com Stay Away e Do you care — canção do primeiro videoclipe do grupo. O vocalista Martin Heuvel brincou com a galera na pista, perguntando sobre quantos dos presentes também estavam participando nas turnês anteriores. Para a tristeza dos fãs, o líder do grupo também afirmou que aquele poderia ser o último show da banda no Brasil. A apresentação prosseguiu com a música do novo álbum Cut the cord, Never give up, Destination Unknown (single que conta com a participação do Andrew Neufeld, vocalista do Comeback kid) e Stand and Fight. Após uma pausa, Martin comentou sobre uma postagem na página do evento na rede social Facebook, em que um fã havia perguntado se haveria um meet and greet com a banda. O líder ironizou respondendo que os integrantes do No Turning Back não eram “rockstars” e que qualquer um poderia pedir uma foto ou autógrafo ao término do show. Seguindo, as canções True love, Never again, Sick Society, Go away e Stronger foram responsáveis por uma verdadeira onda de stage dives no palco da Jai Club. Para a felicidade dos presentes, a banda atendeu o pedido dos fãs após o término do set, retornando para um bis e encerrando a noite com as músicas Same sad song e Together.

Demonstrando amor pela música, respeito máximo para com os fãs e orgulho da trajetória, o No turning back mostrou que continua destruindo ao vivo. Apesar das baixas expectativas, esperamos mais shows desses caras por aqui.

Confira o Setlist:



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