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O esperado festival SWU passou, e entre coisas boas e ruins, vai lá um apanhado, misturado, com a opinião do Besouros de como foi!

Fotos liberadas pela inpress e SWU


Este foi um dos mais esperados festivais dos últimos anos aqui no Brasil, embora ano após ano muitos festivais tenham nascidos, 3 dias seguidos e com tantas bandas, só o Rock in Rio era tão completo, e a 9 anos não vemos algo assim! Ainda mais com a variedade de bandas que atraíram muitas pessoas de diferentes gostos musicais! E ai já viu, quando a expectativa é demais sempre há desapontamento. Mas no final a expectativa de verdade era pelas bandas, não o festival em si, e estas cumpriram seu papel muito bem.

O SWU veio com uma estrutura de dois palcos principais para revesar os shows, um chamado “Água” e o outro “Ar”, um palco menor dentro da uma tenda da operadora Oi, e uma tenda de música eletrônica da cerveja Heineken. Além de vários stands de marcas, lanchonetes, bar, um fórum e até uma roda gigante.

.:Bandas

O primeiro dia (09) vinha com grande diversidade musical, mas era o dia do Rage Against The Machine! Poucos pagaram o ingresso pelas outras bandas Black Drawing Chalk, Mutantes, The Mars Volta, Los Hermanos e Infectious Grooves. Mas elas tinham sua platéia, cada um por um motivo! Ou melhor, todos por um motivo, eram bandas de órfãos ou carentes! Parece que foi esse o quesito d juntar essas bandas! Os Mutantes nunca tocam aqui, são a banda brazura gringa! O Mars Volta tem seus fãs órfãos do At The Drive-In, assim como o Infectious Grooves atraem os fãs do Suicidal Tendencies, e com certeza que todos preferiam ver o Suicidal ali, embora a animação seja tão contagiante quanto.

Os Los Hermanos por voltarem das cinzas, e ainda não se sabe se voltaram definitivamente ou não, assim como o Rage Against The Machine, que além de voltarem a ativa, tocavam pela primeira vez no Brasil para um público gigante de fãs que achavam que nunca veriam a banda! E ai que veio o momento mais insano do festival, o público fervoroso conseguiu quebrar a grade que dividia a área comum da premium, e logo em seguida veio toda a manipulação da mídia, ou melhor, da Rede Globo.

O RATM é uma banda que trás toda uma ideologia política, seja comunista ou anarquista, mas contra o sistema capitalista, que o nome da banda chama de Máquina. Parece que a Globo teve a função da Máquina brasileira! Primeiro em entrevista ao Fantástico mostrou a banda como hipócrita em ser contra a área premium do festival, mas andarem de primeira classe! Depois não quis muito falar do apoio ao MST, já que a banda doou ingressos ao movimento. A quebra da grade em seguida já foi dada como incentivada pelo vocalista Zack de la Rocha por conta de ser contra a área premium, mas em nenhum momento ele disse “quebrem, invadam”. E durante a transmissão ao vivo pelo Multishow o show foi cortado ao meio, aparentemente bem no momento que o guitarrista Tom Morello coloca um boné do MST. Tom depois twittou: “Se a rede de tv cortou as cenas em que eu aparecia c/ o boné do MST, é sinal que estamos vencendo” . Antes, em um único momento transmitido, que mostra o apoio, foi quando o vocalista Zack de la Rocha dedicou a música “People of the Sun” ao MST (veja em vídeo aqui, junto a entrevista dada ao MST).

O show do Rage também foi marcado por interrupções, a primeira pela citada quebra da grade, onde Zack pediu para o público dar 3 passos para trás, e depois por cortes do som ao público, quando o show parou por uns 10 minutos.

O dia 10 teve O Teatro Mágico, Kings of Leon, Dave Matthews Band, Regina Spektor, Joss Stone, Sublime with Rome, Capital Inicial e Jota Quest como bandas principais. Eu não acompanhei este dia, mas foi o dia com menos público, e o mais leve, levando em consideração os estilos musicais. A maior reclamação que ouvi foi do som baixo no palco “Água”, um dos dois palcos principais.

O dia 11 tinha muitas bandas que chamavam grandes públicos, Queens of the Stone Age, Yo la Tengo, Cavalera Conspiracy, Linkin Park, Incubus, Pixies e Avenged Sevenfold.


Cheguei bem cedo, o Glória tocava para um público razoável, já que pouca gente estava dentro do festival, já explico o porque! A banda estava empolgada e empolgava, show curto, 40 minutos, mas fez seu papel! Assim como o Crashdiet, banda sueca que veio de longe pra fazer 40 minutos de show, mas não se mostrou abatida por isso, muito animados conquistaram os fãs e os que não conheciam!

Sem respiro entrou o Yo la Tengo no palco, e eu precisava de um respiro pra comer algo, perdi o show, tem que ser onipresente pra ver tudo, ainda mais que começou o show do Autoramas no palco Oi, e corri pra lá! Show este que foi dos mais animados, e durante o show percebi uma coisa, nunca tinha visto os caras ao vivo! E foi um dos shows onde vi o público mais empolgado, até mais do que alguns dos grandes!

Voltando ao palco principal, no “Água” o Cavalera Conspiracy faz sua primeira apresentação brasileira, com grande aceitação do público, onde tocaram suas músicas, algumas do Sepultura para não arriscar no erro, como “Refuse/Resist” e “Roots Bloody Roots”, e ainda uma música inédita, chamada “Warlord”.

Em seguida o Avenged Sevenfold no palco “Ar”, chamou o público mais jovem do festival, e o mais ansioso do dia, confirmado pelo grande numero de camisetas que circulavam com o logo da banda. Entre peso e baladas eles agradaram seu público por completo deixando o público com mais de 20 poucos anos boiando um pouco!

Voltando ao palco “Água” o Incubus sobe logo em seguida e de cara já nota-se o som bem mais baixo, e este era um problema daquele palco! Abrindo com “Megalomaniac” a banda não arriscou em não tocar sucessos! Fazendo o público cantar alto com hits como “Pardon me”, “Nice to know you” e “I Wish You Were”.

Correndo pro palco “Ar” para ver o Queens of the Stone Age, já que até então os shows estavam começando com uma diferença de tempo ótima, entre 15 minutos, este demorou cerca de 1 hora! A produção até subiu ao palco para anunciar Delay técnico. Mas valeu a espera, Josh Homme e sua banda começaram de cara com o peso de “Feel Good Hit of the Summer” fazendo todo mundo pular! Embora a luz do palco e o telão tenham falhado em algumas músicas, o público continuou animado.

Com um show de peso tocaram músicas de todos os álbuns, somando 15 músicas, e mesmo assim o show pareceu curtissímo! Ai vai o set:

1- Feel Good Hit Of The Summer
2- Lost Art Of Keeping a Secret
3- 3’s & 7’s
4- Sick, Sick, Sick
5- Misfit Love
6- Monsters In The Parasol
7- Burn The Witch
8- Long Slow Goodbye
9- In My Head
10- Little Sister
11- Do It Again
12- I Think I Lost My Headache
13- Go With The Flow
14- No One Knows
15- Song For The Dead

Menos de um minuto depois começa o Pixies, nem dava tempo de correr pro outro palco! Mas acho que os fãs da banda já estavam por lá, estava mais sossegado para ver o show deles, ainda mais porque o próximo seria do Linkin Park no outro palco. O Pixies faz um show pra fãs mesmo, não tem muita presença de palco, e depois do show do Queens ficou muito morno. Mas tenho certeza que agradou os nostálgicos e saudosistas.

A última banda a tocar, e com mais público presente era o Linkin Park. Um show que misturou hits e alguns experimentos de percussão misturados a eletrônico, era pra realmente quem gosta da banda. Eu me desvirtuei totalmente, já que o show estava fraco e para quem assistia com um pouco de distância, o som estava muito abafado, já que o som não era espalhado pela arena toda, vinha só do palco.

Para fechar tocou o DJ Tiesto, e já que não é a praia do Besouros, eu nem vi!

.: O Festival

Todo a proposta do festival era de grandes bandas, grandes shows, e toda uma conscientização sobre a sustentabilidade do planeta. E era até apresentada como o principal motivo do festival existir… mas ai já ficou difícil de acreditar. Começando pelos valores dos ingressos que iam de 95 reais a mais de 600, a existência de uma área premium, estacionamento com valores de 30 a 100 reais, camping sem uma boa estrutura e também com valores altos, me pareceu que os lucros ficaram na frente da ideologia.

E ainda alguns valores rondavam pela desculpa da sustentabilidade, banho de 7 minutos do camping, se tivesse 4 pessoas no carro pagava menos, 50 reais… mas 50 reais eu já acho caríssimo! Mas no final ficava com um ar de contentamento “poderia estar pagando 100 né”! Mas na hora de cobrar 4 reais em uma garrafa de água, que ia virar lixo em alguns minutos, e não ter nenhum tipo de água corrente, nem pra lavar as mãos, ai a sustentabilidade ficou de lado! Nada que fizesse os lucros diminuírem foram implantados em pró da sustentabilidade!

Alguns pontos foram legais, outros nem tanto! Era possível carregar o celular a luz solar, Fórum da sustentabilidade, andar em uma roda gigante movida a pedalas. Mas o público já sabe que existe fontes alternativas de energia, mas não somos nós que produzimos nossa própria energia! Isso de nada vale! Assim como escultura de lixo, legal legal… mas até ai esculturas de lixo não salvam o planeta também! Não é assim que alguém aprende a reutilizar o lixo ou reciclar. Idéias para cada um contribuir deviam ter sido dadas. Eu acho que só falar que o mundo está em colapso não adianta, temos que saber o que fazer em uma hora dessas.

Mudando de assunto a organização foi rígida na revista na entrada, mas eram poucos os corredores! No dia 11 tinha muito fã do Linkin Park e Avenged Sevenfold que estava esperando os portões abrirem logo cedo, para ficar na grade dos shows. Quando abriu com uma hora de atraso, a muvuca para entregar virou um caos! Foram 2 horas e meia para entregar, e até guerra de comida teve! Já que não era permitido entrar com comida, o pessoal começou a jogar pra cima! Voava de bolachas, pão pullman e até desodorantes aerosol! Veja abaixo:

O local do festival também não achei muita justificativa, uma Chácara do Jockey acredito que comportaria o público, que era na maioria de São Paulo. E sendo em Itú o transporte e estadia ultrapassaram os valores dos ingressos!

Espero que mantenham o que teve de bom e aprendam com os erros para o festival de 2011, que aparentemente vai rolar! Dinheiro não seria problema!



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