Clemente dos inocentes é o Nostradamus do caos

Em 1981, motivado pelo clima tenso da repressão política do governo, o músico Clemente, da banda punk Os Inocentes, escreveu a música Pânico em SP. Ele não imaginava que, 25 anos depois, sua letra descreveria tão fielmente os acontecimentos desta semana na capital paulista.

“Foi exatamente como diz a letra, ninguém sabe o que acontece”, diz Clemente. “Você ligava a televisão e a cidade parecia uma praça de guerra. No dia estávamos ensaiando e o baterista teve de ir embora porque estava preocupado com a mãe.” Para o músico, houve exagero da mídia e despreparo das autoridades.

Ele não se surpreende com a atualidade da música, mesmo 25 anos depois. “A tensão continua hoje porque os políticos continuam tratando mal os excluídos”, fala Clemente. E manda outra profecia: “Um dia eles vão virar os alvos…”.

Quanto à possiblidade de ser uma espécie de “Nostradamus do rock”, Clemente, que se auto-intitula um “pobre star” (em vez de pop star), ironiza: “Só o título não paga as contas. Bem que eu podia vender tanto quanto o Jota Quest!”

Veja a letra de “Pânico em SP” abaixo:

As sirenes tocaram
As rádios avisaram
Que era pra correr
As pessoas assustadas
mal informadas
Puseram a fugir… sem saber porque

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP

O jornal, a rádio, a televisão
Todos os meios de comunicação
Neles estavam estampados
O rosto de medo da população

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP

Chamaram os bombeiros
Chamaram o exército
Chamaram a Polícia Militar
Todos armados
Até os dentes
Todos prontos para atirar
havia o que

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP

Mas o que eles não sabiam
Aliás o que ninguém sabia
Era o que estava acontecendo
Ou que realmente acontecia

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP

(Terra)

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